
Em maio de 2007 tive a agradável surpresa de conhecer a região do Algarve que se localiza ao extremo sul de Portugal. Na ocasião, eu e minha família estávamos em Lisboa, quando fomos surpreendidos com o convite de um casal amigo para nos hospedarmos em sua casa, assim, meio que de surpresa, partimos em direção ao Algarve.
Me surpreendi com a beleza das praias de diferentes formas e tamanhos, banhadas por águas límpidas, e tranquilas. Não há como deixar de observar que suas falésias e suas rochas, por vezes nos remetem à paisagens da nossa paradisíaca ilha de Fernando de Noronha. Me diverti “imenso” nos bares de Portimão, comi e bebi bem demais e descansei muito ! Enfim, A-DO-REI tudo!
O Algarve é uma região importantíssima para o turismo português. É como se fosse a região dos Lagos no Rio de Janeiro, porém, muito melhor estruturada. Apesar de toda esta estrutura turística, o interessante é que a população do Algarve possui ainda, nítida a preocupação com a garantia da preservação seus encantos naturais, de modo a evitar por exemplo, a ocupação desordenada das praias.
Algumas das mais bonitas e acolhedoras praias do mundo estão no Algarve. E por isso, todos os anos, milhares de turistas as procuram. Além dos portugueses, lá é possível esbarrar com muitos espanhóis, alemães e ingleses que lotam suas areias em busca de sol. Trata-se de um patrimônio natural que tem vindo a ser aproveitado de forma sustentada, dando origem a espaços de qualidade aptos a responder a diferentes necessidades. Praias para todos os gostos, na sua maioria reconhecidas com a chancela europeia da “Bandeira Azul”. Vale ressaltar que nosso ídolo Ayrton Senna, também possuía uma propriedade na região e por vezes era visto pilotando seu jet sky em Vila Moura.
No Algarve, há desde praias muito badaladas, onde a “social” e bem animada, com também praias muito calmas onde é possível desfrutar de vários quilometros de areias quase desertas. Há inclusive, praias para quem gosta de fazer nudismo e praias próprias para quem tem restrições de locomoção.
Da região do Algarve, fazem parte 16 municípios, Albufeira, Alcoutim, Aljezur, Castro Marim, Faro (onde há um aeroporto internacional), Lagoa, Lagos, Loulé, Monchique, Olhão, Portimão, São Brás de Alportel, Silves, Tavira, Vila do Bispo, Vila Real de Santo António.
Praias da Costa Vicentina
A Costa Vicentina insere-se no Parque Natural e tem praias que constituem verdadeiros tesouros da Natureza, porém com infra-estruturas que as tornam perfeitas para serem frequentadas em família.
São praias excelentes para os que gostam de usufruir da natureza e valorizam ambientes de paz, e onde a espécie humana convive harmoniosamente com a fauna e a flora do litoral mais preservado da Europa.
Destas, destaque para a praia de Odeceixe, na foz da ribeira com o mesmo nome, que é a fronteira com o Alentejo, rodeada pelas falésias que distinguem a paisagem desta costa.
Trata-se de um areal extenso, dividido entre a água salgada do mar e a água doce da ribeira, formando-se pequenas lagoas, na maré baixa, propícias a banhos calmos ou a passeios que se poderão prolongar às praias vizinhas.
Mais a sul, perto de Vale da Telha, a beleza natural e a qualidade ambiental fazem da praia de Monte Clérigo uma das melhores de toda a costa. A pequena aldeia piscatória envolvente confere um encanto especial a este enorme areal.
Arrifana é a primeira praia a seguir à Ponta da Atalaia e fica no fundo de uma enseada envolvida por altas escarpas, pelas quais vai descendo o casario que constitui a encantadora aldeia, até muito próximo do mar.
Praias de Portimão
Portimão recebe todos os anos milhares de veraneantes, que escolhem a zona para as suas férias. Na origem desta preferência está a diversificada oferta existente, para todos os gostos e interesses, mas sobretudo porque Portimão alberga algumas das melhores praias algarvias.
As praias do Vau, dos Três Irmãos e do Alvor, cenários onde os rochedos emolduram areia e mar, são indicadas para todas as idades, acrescendo à segurança natural a vigilância e completas infra-estruturas de apoio.
A praia do Vau de águas calmas, aposta na animação de praia e a ampla oferta é garantia de divertimento e atividades saudáveis.
O extenso areal da praia do Alvor é um chamariz para muitos banhistas. Para as famílias, esta praia tem a vantagem de estar situada na frente da ria, possibilitando, assim, fazer pequenos percursos de observação da natureza e ensinar aos mais pequeninos todas as regras de respeito pela vida selvagem.
Também a zona histórica da vila do Alvor pode proporcionar uma interessante pausa à rotina balnear. No extremo desta praia, a nascente, a praia dos Três Irmãos é limitada por rochas que, quando a maré está baixa, permitem a passagem para a vizinha Prainha. Um passeio a não perder.
Praias de Lagos
A zona de Lagos acaba por ser das mais diversificadas do Algarve, ao mesclar as características rochosas e as longas praias arenosas abrigadas na baía.
Lagos é conhecida como a costa de oiro, pelo tom dourado das arribas que formam grutas fantásticas junto às praias que oferecem às famílias a oportunidade de as visitar de barco.
A Praia da Luz e a Meia Praia, sendo das mais afamadas, ostentam a Bandeira Azul e a Qualidade Ouro, galardões que premeiam a qualidade ambiental, garantindo simultaneamente segurança e infra-estruturas que proporcionam uma série de comodidades e de animação.
Com cerca de cinco kilometros, o areal da Meia Praia estende-se entre a marina de Lagos e a ria do Alvor. O acesso pode ser feito de carro, de trem, de ônibus ou de barco e na sua extremidade leste, menos frequentada, a garantia de sossego é total.
Apesar de ser bem menor, a praia de Dona Ana é também uma boa opção para famílias. Aqui, as rochas existentes no areal garantem boas sombras e as águas calmas são propícias a mergulhos e brincadeiras, para banhistas de todas as idades.
Praias de Albufeira
O enorme areal da praia da Galé é emoldurado a Oeste pelas dunas, enquanto as arribas, situadas a Este, convidam a passeios relaxantes para apreciar as vistas panorâmicas.
A praia de São Rafael surge a poucos quilometros para Este e é uma concha de areia incrustada nas formações rochosas que emergem dentro do mar e no areal, quais esculturas.
Muito próxima de empreendimentos turísticos, hotéis, restaurantes e esplanadas e oferecendo diversos desportos náuticos, a praia da Oura é uma das mais escolhidas pelas famílias.
Logo ao lado, a praia de Santa Eulália apresenta bons acessos e infra-estruturas confortáveis, e imediatamente a seguir, a praia Maria Luísa oferece uma tranquilidade para quem gosta de um pouco mais de sossego.
Ainda no impressivo litoral de Albufeira, a praia dos Olhos d’Água alia o encanto da paisagem ao colorido pitoresco das pequenas embarcações de pesca artesanal que repousam no areal, entre as marés. Os acessos estão preparados para pessoas portadoras de deficiência.
Um pouco mais para Este, as praias da Falésia, pelo esplendor da paisagem em que estão inseridas, e a Rocha Baixinha, pelas excelentes infra-estruturas de apoio que oferece, são, também, opções perfeitas para toda a família.
Cultura no Algarve:
Quem disse que só os grandes centros urbanos podem nos proporcionar uma viagem cheia de cultura ?!
Com características singulares em relação ao resto do país, a arquitetura tradicional algarvia, de forte influência árabe (deixada pelos mouros que por lá se instalaram durante milhares de anos), reflete a história, o gosto popular e as necessidades concretas das gentes desta região quente e soalheira. Além de extremamente bonitos e pitorescos, pormenores como as chaminés decoradas, as platibandas coloridas, as frescas açoteias e o branco da cal nas paredes têm origem em utilidades específicas de outros tempos. Apesar das casas quadradas pintadas de branco serem comuns a toda a região, há excepções, sempre adequadas às especificidades do clima do Algarve, que enriquecem o patrimônio edificado. É o caso dos telhados de quatro águas, predominantes em Tavira e Faro, dos moinhos, de vento e de maré, e dos engenhos de água, que constituem um importante legado na história da região algarvia.
As chaminés da vaidade: vistas em quase todas as casas do Algarve, são um símbolo da região, fruto da influência de cinco séculos de ocupação árabe.
No Algarve não havia duas chaminés iguais, porque os motivos decorativos dependiam sempre dos dias de construção e das posses do proprietário. Aliás, era costume entre os mestres pedreiros perguntar quantos dias queriam de chaminé, para avaliar o valor do trabalho. Quanto mais delicada e difícil a sua elaboração, mais dispendiosa se tornava. A cor predominante era o branco da cal, mas existem honrosas excepções, sobretudo em ocres e azuis.
Mais do que pura utilidade, as chaminés tinham um valor ornamental. A chaminé de uso, e também a mais simples e funcional, ficava na divisão onde se faziam as refeições, enquanto a chaminé rendilhada, mais pequena e personificada, ocupava um lugar de destaque na cozinha, onde apenas se recebiam visitas.
Em termos práticos, a chaminé era considerada um sinal de presença de pessoas, um bom indício do estado do tempo, e o local onde era marcada a data de construção da casa.
O interior do Algarve, especialmente Querença, Martinlongo e Monchique, são os locais onde melhor se podem contemplar estas seculares chaminés, símbolos da arte popular, prova da perícia do pedreiro e motivo de orgulho para qualquer proprietário.
A força da água e do ar: Engenhos do passado que laboravam aproveitando as forças da natureza, os moinhos de maré, as azenhas, e os moinhos de vento, são um importante legado na história da região algarvia.
Sempre no cimo dos montes, os moinhos de vento construíam-se com paredes circulares caiadas de branco, prova de limpeza e boa conservação, e tecto em forma de cone. Espalhadas pela serra, e esporadicamente no barlavento litoral, vêem-se ruínas destes moinhos, outrora apetrechados com velas de lona e mós que trituravam o milho e o trigo com que se fazia o pão. Para não deixar morrer a tradição, o parque eólico de Vila do Bispo continua a aproveitar o vento, desta vez com moinhos de esguias pás de aço, para produzir energia amiga do ambiente.
Localizados sobretudo ao longo das ribeiras e no estuário dos rios, os moinhos de maré valiam-se das águas contidas em enormes represas, que eram abertas na baixa-mar para fazer mover as suas mós; as azenhas, utilizavam a água dos ribeiros. Atualmente, restam as sombras destes engenhos, com excepcionais casos de recuperação, como na Quinta do Marim, situada no Parque Natural da Ria Formosa, que mantém o moinho a trabalhar regularmente e aberto a visitas.
Telhados de inspiração oriental: Os telhados de quatro águas são a imagem de marca de Tavira, antiga cidade aristocrata, cuja arquitetura se caracteriza por estas coberturas de forte influência oriental. Tradicionalmente também existiam em Faro, mas atualmente já só persistem em três bairros históricos.
Adequados ao clima do sul de Portugal, os telhados de quatro águas, ou de tesoura, permitem aumentar a circulação de ar nas habitações, tornando-as mais frescas no Verão e isolando o frio no Inverno. Apresentam-se em forma de pirâmide quadrangular, com uma inclinação bastante acentuada, cobertos de telha de canudo e beiral revirado, evocando a inspiração oriental dos mercadores de especiarias de terras de além-mar. As coberturas são constituídas por pequenos telhados de quatro águas, justapostos e alinhados ao longo da fachada, correspondendo cada um a uma divisão da casa. Uma curiosidade que permite saber, a quem está do lado de fora, quantas dependências tem a habitação, bastando, para isso, contar as pirâmides.
Casas em cubos brancos: Olhão, localidade piscatória no coração do Algarve, é apelidada de cidade cubista devido às construções em forma de cubos sobrepostos, datados do século XVIII, que se encaixam por entre as ruas apertadas e sinuosas de cariz marcadamente islâmico.
As casas brancas, com terraços de inspiração árabe e platibandas debruadas a cinzento e azul, são o orgulho da cidade. Uma arquitetura caracterizada pela peculiar geometria, com açoteias, mirantes, contramirantes, torres e varandas, que o bairro da Barreta, próximo dos mercados municipais, teima em preservar.
A açoteia, frequente no litoral algarvio, mas predominante em Olhão, corresponde à procura das vistas largas, mas também à necessidade de um espaço privado, onde se seca a fruta e o peixe, e onde se encontra o descanso nas noites quentes do Verão.
Esta herança patrimonial só foi, no entanto, construída a partir do século XVIII. Os olhanenses, inspirados pelo contacto permanente com as gentes de Marrocos, iniciaram a edificação das suas casas de modo semelhante, recorrendo às formas cúbicas e à cal. Os proveitos da pesca possibilitaram o crescimento da localidade, e em 1790 todos os casebres de madeira onde moravam os pescadores tinham sido transformados em casas quadradas, com chaminés rendilhadas e açoteias no lugar dos telhados.
A brancura da cal nas paredes, eficaz refletora da luz do sol, e frequentemente renovada como prova de asseio e vaidade, e as barras coloridas a emoldurar portas e janelas, são elementos que unem as casas algarvias. As características variam, no entanto, consoante as regiões.
Na Serra do Caldeirão, as casas eram circulares e feitas de pedra ou barro, com teto cônico de colmo; hoje são quadrangulares e feitas em xisto e grés vermelho. Em Monchique, são construídas em pedra granítica acinzentada. Já na planura, a casa típica é pequena, e levantada com pedra e cal, e telha moura ou portuguesa. No litoral, são construídos terraços sobrepostos, com escadas exteriores, terminando com um mirante no ponto mais alto, para observar o regresso do barco da faina. Também características do litoral, de influência muçulmana, surgem as açoteias, terraços onde se procura o fresco e o descanso, e onde se secam figos, amêndoas e milho. De utilidade decorativa, as platibandas rematam as fachadas, com formas geométricas e múltiplas cores. As chaminés, símbolo da região algarvia, exibem-se trabalhadas em todas as habitações.
Fontes:
http://www.visitalgarve.pt/visitalgarve
http://www.wikipédia.pt



